quarta-feira, dezembro 21, 2016

Vamos nos aventurar em Abhacky?



Recebi Abhacky do próprio autor Mario P. Paiva e fiquei bastante interessado apenas lendo a sinopse, de cara já adianto que a leitura foi ótima e bem fluida. Se você gosta de fantasia então vem comigo se aventurar por esse reino!

O nascimento de uma criança amaldiçoada é que temos já no prólogo onde o pai é obrigado a matar o parteiro para salvar a vida da criança e ao constatar que sua mãe havia morrido no parto foge com o filho... Então numa passagem de tempo de 15 anos somos levados a Abhacky onde conhecemos os irmão Senty mais calmo e centrado e Valentim mais impulsivo e que acaba sempre se metendo em confusões, levando o irmão junto. Porém, eles acabam se metendo numa confusão muito maior quando eles invadem a biblioteca do castelo e um homem misterioso aparece e além de roubar um livro atea fogo em outros e se não fosse por Valentim e Senty tudo seria queimado. Essa é apenas parte da história e os acontecimentos posteriores vocês podem conferir no vídeo no fim da postagem.

O livro está disponível em versão física apenas por contato direto com o autor através do email marioppneto@gmail.com e em ebook na Amazon. As páginas são brancas e a fonte tem um tamanho agradável até pra quem tem miopia e astigmatismo, meu caso rs. A trama é muito envolvente e o final te deixa querendo muito o segundo livro, sim esse é apenas o primeiro!


quarta-feira, dezembro 07, 2016

Série Easy - Vidas normais e sexo cotidiano



A Netflix está em constante atualização de conteúdo e agora tem trazido muitas séries próprias ao catálogo, algumas fazem mais barulhos que outras e geralmente me sinto mais atraído pelas menos barulhentas é o caso de Easy, que também me foi indicada por um amigo. Mesmo não sendo uma das mais novas a série que estreou mundialmente em 22 de setembro de 2016 é pouco comentada.

Tratado como um tabu em algumas e com muito glamour na maioria o sexo geralmente deixa de ser sexo e passa a ser um espetáculo diante das câmeras, ambientada em Chicago a série explora diversos personagens no decorrer de seus oito episódios e tudo começa numa festa e um papo sobre? Adivinhou quem pensou SEXO! O mais interessante da série além do elenco que tem um que de gente como a gente, o sexo é encarado como consequência da vida e afetado pelo cotidiano, tecnologia e cultura. Personagens com dramas reais que vão desde conseguir transar quando tem se filhos pequenos, o desejo ou não de ser mãe ou tentativa de se encaixar em algum grupo. Resumindo o sexo acontece como parte da vida dos personagens e não como foco principal, o que torna tudo mais próximo da realidade. Quando eu digo próximo da realidade não quero dizer que tem cenas pornográficas reais, se está esperando por isso ou corpos nus perfeitos procure outro título para assistir.

O que talvez passe desapercebido é que as situações apresentadas na série parece sempre ter existido, mas por questões sociais e tabus elas só estejam sendo discutidas mais abertamente agora e não apenas os dramas sexuais, mas as situações e a vida adulta como um todo e tudo isso com uma abordagem leve e nada apelativa.

Em oito episódios com cerca de 20 minutos cada e dialogos que beiram o improviso, tornado ainda mais realista, a série criada e dirigida por Joa Swanberg está na primeira temporada e conta com nomes de peso no elenco como Orlando Bloom, Malin Akerman, Jake Johnson, Marc Maron, Dave Franco, Hannibal Buress, Emily Ratajkowski, Michael Chernus, Gugu Mbatha-Raw, Aya Cash, Jane Adams, Elizabeth Reaser, Evan Jonigkeit. Uma boa pedida para quem gosta de séries curtas que misturam drama e comédia.


quinta-feira, dezembro 01, 2016

É vergonhoso ler poucos livros em um mês?

Você já deve ter visto leitores se lamentando por ter lido cinco livros ou menos em um mês. Isso é realmente lamentável?

Nem sempre há tempo para se dedicar a leitura, tem escola/faculdade ou trabalho e ainda a combinação dos dois em alguns casos. Então nem sempre é possível ler "muito" ou tudo o que se quer, ler no ônibus ou metrô é uma arte que nem todo mundo domina e em certas filas também não dá. E claro também existe o fato de que alguns livros tem uma leitura mais "difícil" que outros, além da quantidade de páginas, além de cada um ter seu próprio ritmo.

Então ler poucos livros mensalmente não deveria ser motivo para desanimo, deveria ser animador o fato de ler por si só, afinal ler não é uma competição e nem sempre quantidade é qualidade. Pensem nisso e deixem suas opiniões!

quinta-feira, novembro 24, 2016

Memórias de um vendedor de mulheres

Autor de Eu Mato

Quais razões levam alguém a se tornar um cafetão? Será apenas por dinheiro? Será por poder exercer algum tipo de poder sobre outras pessoas, não apenas mulheres? Quais os motivos de Bravo um homem conhecido e ao mesmo tempo anônimo levar a vida que leva? É com uma narrativa genial que Giorgio Faletti nos apresenta essa trama cheia de intrigas e reviravoltas fazendo o leitor perder o folego a cada página.


De cara Bravo conta sua história ou melhor parte dela, a parte que parece ser a mais importante e que eu não irei revelar aqui num prologo que já nos mostra em que tipo problemas vamos nos meter, a história se passa em Milão em 1978, quando a Itália vive um clima de tensão pelo sequestro do ex-primeiro ministro Aldo Moro. Como de costume Bravo se reúne com alguns amigos num bar e só sai de lá quando o dia está quase raiando, é nessa saída que ele conhece Carla e é a partir desse encontro que sua vida mudará completamente em poucos dias. Num contraponto da vida nada calma do protagonista, somos apresentados a Lúcio, o vizinho de bravo, um cara cego que leva uma vida tranquila e ataca como músico as vezes. A única agitação de sua vida parece ser os criptogramas que ele e Bravo lançam como desafio um ao outro.

Apesar do segredo do protagonista revelado no prólogo a historia não se desenrola em torno dele, muito pelo contrario, esse parece ser um coadjuvante sendo mencionado apenas nas lembranças e pesadelos que o protagonista tem sobre o ocorrido. Num ambiente de discotecas e cassinos clandestinos onde a máfia e a criminalidade tomam conta da Itália, Bravo é quase uma celebridade sendo procurado por grandes empresários vindos de outros países e políticos poderosos em busca de diversão com as garotas de Bravo, ao mesmo tempo anônimo já que a discrição é a alma do seu negócio.


sexta-feira, novembro 11, 2016

Muito terror e risadas com La leyenda de la Llorona

Llorona pelicula
Uma das boas surpresas que a Netflix me indicou esta semana foi o filme "La leyenda de la Llorona", baseado na lenda da Llorona (Chorona) do folclore latino americano onde a alma de uma mulher que perdeu seus filhos vaga por um vilarejo sequestrando crianças acreditando ser seus filhos perdidos. Nessa versão animada da história Leo San Juan e seus amigos partem em uma aventura para pegar o espectro que assombra um povoado, quando o balão em que eles viajam cai em meio a uma tempestade.

Enquanto Kika uma menina tagarela e muito sapeca e seu irmão Beto estão batendo de porta em porta pedindo "calaverita" uma espécie de de doces ou travessuras do Halloween, Kika decide ir sozinha até uma casa e lá ela dá de cara com a Llorona que tenta sequestrá-la, mas Beto se sacrifica pela irmã sendo sequestrado pelo fantasma. Leo San Juan recebe uma carta pedindo ajuda com a Llorona e é nesse momento que seu balão entra numa tempestade que o separa de seus amigos, ele cai em cima de Kika e seus amigos são levados até a Ilha dos Bonecos. Leo parte em busca de pistas sobre o esconderijo da Llorona e Kika sem que sua mãe saiba vai atrás dele se metendo em mais confusões. Enquanto isso seus amigos enfrentam um exercito de bonecos sinistros na ilha e tentam fugir de lá.

Com 76 minutos de duração a animação lembra a serie animada do Sítio do Picapau Amarelo, lançado em 2011 A Lenda da Chorona é um filme de animação, terror, comédia e aventura com roteiro de Omar Mustre, Alberto Rodriguez, Ricardo Arnaiz e Jesus Guzman e dirigido por Alberto Rodriguez. Garantia de algumas risadas principalmente por causa da Kika e das "calaveritas de azúcar", valeria muito a pena assistir com as crianças caso tivesse dublagem em português. É uma boa pedida para uma tarde de feriado!

llorona

la leyenda de la llorona

segunda-feira, outubro 17, 2016

O fantástico mundo dos Selvagens de Don Winslow



Muitos são os livros que falam sobre tráfico, crime organizado e cartéis de drogas que operam no México, porém poucos criam um ambiante cheio de violência e da intimidação que esse cartéis causam sobrem as pessoas, cartéis inimigos e autoridades como em Salvagens de Winslow. Misturado a isso temos um cenário que beira uma guerra civil entre cartéis rivais e suas ramificações além do território mexicano, sendo mais específico: traficantes mexicanos dominam também regiões que fazem fronteira com os EUA e é nesse cenário que Don Winslow nos apresenta a três jovens amigos americanos Ben, o cara que desenvolve variedades de erva que causam os mais variados efeitos e envolvido com causas humanitarias, tendo trabalhado em várias partes da África como voluntário; Chon, o cara durão ex-fuzileiro que lutou no Afeganistão; e O. (Ophelia) a jovem que nunca soube o que fazer da vida além de conviver com as paranoias da mãe.

Sem mais enrolação aqui vem o resumo da história Ben e Chon tavam de boas vendendo sua maconha pela cidade e ficam sabendo que outros traficantes estão recebendo uma proposta para se unir Cartel de Baja através de um vídeo explicativo sobre a proposta. O acordo é simples, Ben e Chon passam a trabalhar para o cartel e tem suas vidas poupadas, para ser mais convincente o vídeo contém a decapitação de pessoas que recusaram a oferta.

Vocês devem imaginar que Ben e Chon não receberam muito bem a proposta e que nesse momento O. é só a amiga/namorada da dupla. Eles vivem uma relação a três sem qualquer tipo de problema, O. gosta Ben e Chon, Ben e Chon gostam e O., Ben e Chon são como irmãos. As coisas mudam quando os caras do cartel, após algumas reuniões sem sucesso, investigam mais a fundo a vida dos dois e descobrem que eles tem Ophelia. A partir disso deixarei a imaginação dos senhores deduzir o que acontece e já adianto que é tudo surpreendente.

A maneira como Winslow escreve é sensacional, mesclando muito bem ação quebrada por um humor que ao mesmo tempo faz uma critica a parte da sociedade que sobrevive a base autoajuda, boas doses de dramas familiares e a guerra pelo poder. Tudo isso sem poupar o leitor da crueldade dos homens, afinal o que esperar de um livro que já começa com um "Foda-se!"?

sábado, outubro 15, 2016

Resenha: Filhos de Hippies - Maxine Swann


Qual o peso que uma educação sem regras traz a vida de uma criança? Como será que crianças reagem quando são expostas a coisas que geralmente são feitas as escondidas por adultos? Crescer livre é realmente o melhor?

Em "Filhos de Hippies" Maxine Swann nos faz pensar a partir da perscpetiva de Maeve uma menina, filha de pais hippies, que experimentou junto com seus três irmãos a liberdade da vida sem pressão, regras e com muito amor. Apesar desse primeiro impacto da liberdade a história dos irmãos ganha novos contornos quando os pais se separam e eles tem que ir à escola, a difícil adaptação as regras e o medo de cometer algum deslize e ser excluída pelos amigos faz Maeve ter muito cuidado com suas atitudes no meio escolar. Não muito diferente os irmãos seguem o mesmo, ela e a irmã mais velha são ótimas alunas. Eles passam as férias com o pai viajando de carro para vários lugares dos Estados Unidos e o pai é do tipo paizão, ele gosta de saber e participar da vida dos filhos e se lamenta por ter ficado longe deles após a separação. Em meio a tudo isso eles convivem, também, com os namorados da mãe e as namoradas do pai, essas geralmente tem um estilo de vida muito diferente do que elas esperariam das namoradas do pai.

Antes de virar livro a história foi publicada como uma série de histórias curtas em 1997 na Ploushshares, as histórias eram conectadas e algumas delas contadas em terceira pessoa. A autora foi indicada a alguns prêmios literários como Cohen, O. Henry Award, Pushcart Prize e Best American Short Stories, vencendo os três primeiros.

O livro levanta vários questionamentos sociais que vão além da criação de filhos, mais que isso o livro trata de várias formas de interação social e questões familiares contemporâneas. Um livro leve e ao mesmo tempo muito tocante, trata de dramas comuns sem exageros a partir das percepções de uma criança que vive num mundo diferente do mundo da maioria das crianças. Recomendo!

quarta-feira, setembro 28, 2016

Dicas: Fotografando livros pt 1

Nós que somos amantes de livros, assim como amantes de qualquer outra coisa, gostamos de ver os livros dos outros e de exibir os nossos, as redes sociais principalmente o Instagram facilitam esse "voyerismo literário" e claro que queremos postar e ver fotos bonitas. Pensando nisso eu quis dar algumas dicas para dar aquele up nas suas fotos e nesse primeira parte eu vou dar dicas de materiais que você pode usar como fundo.

Cartolina Guache

Uma das melhores coisas pra mim é a cartolina guache estampada já que dá pra usar só ela, dependendo da estampa, como também é possível usar outros elementos para compor a cena (essa dica vem depois), dê preferência ao fundo branco e estampa com cores que combine que a maioria dos seus livros, mentalize a cor das suas capas se a maior parte das suas capas for de cor quente (vermelho, laranja, amarelo e derivados dessas) procure estampa com cores frias (azul, verde e violeta e derivados) se suas capas forem maioria de cor fria é só fazer o contrário ou dá pra optar por tons pastel. Vamos ver um exemplo:

Dica Fotografia

Dica Fotografia

Dica Fotografia Livro

Papel Sanfonado

Outra descoberta ótima que eu fiz nos meus teste foi o papel sanfonado que também tem opções com estampa, no meu caso dei preferencia a uma estampa abstrata preto e branco porque me possibilita brincar com a luz e criar alguns efeitos no fundo, além de combinar com todos os livros sem ficar carregado no caso de um fundo preto ou correr o risco de ter um fundo estourado no caso do fundo branco. O papel sanfonado é mais maleável que a cartolina guache, ou seja, dá pra colocar em varias superfícies e usar até como fundo eu se estende da parede ao chão, caso você queira tentar fotografar livros em pé. Outra vantagem do papel sanfonado em relação a cartolina guache é ser fosco, então não corre o risco de ter reflexo da luz caso ela seja artificial. Segue o exemplo:

Dica Fotografia

Dica Fotografia

Dica Fotografia

Na África Salvagem Mark Seal

TNT (Tecido Não Tecido)

Um dos meus favoritos é o TNT por ser como um tecido você pode usar de varias maneiras, reto como um lençol, meio bagunçado pra conseguir vários efeitos de sombra, com algumas dobras para criar um pouco de volume e profundidade. Lembrando que existem variações de gramatura de TNT, ou seja, alguns são super finos e outros mais grossos, então meu conselho é comprar 1m porque dá pra dobrar criando mais camadas pra esconder o fundo o original ou brincar com essas cores. Olha só o exemplo:

Dica Fotografia



 Botões e Meia Perola

Já tem um fundo bacana e quer ser incrementar um pouco? Você pode usar botões e meia perola que combinam tanto com fundos claros quanto escuros, ajudam a alegrar a imagem e combinam com livros uma infinidade de temas e gêneros literários, capas românticas, infantis, alegres, clássicas... Enfim dá ´ra fazer muita coisa apenas brincando com as cores. Vejam:

Dica Fotografia

Dica Fotografia Livro Contos e Lendas Orientais

Todos os materiais utilizados são baratinhos e fáceis de achar em qualquer armarinho ou loja de aviamentos, mas lembre que você pode usar a criatividade e descobrir coisas novas, nada aqui é regra. Então essas foram as dicas de hoje e fiquem ligados aqui no blog para as próximas! E não deixe de seguir o instagram.com/eutentoler 😉😘

domingo, julho 31, 2016

Sofrência foi o que Anthony Knivet viveu!



Se você acha que essas musicas de dor de corno e corações masculinos despedaçados são sofrência, precisa ler a Resenha de "As Incríveis Aventuras E Estranhos Infortúnios De Anthony Knivet", organizado por Sheila Moura Hue.

Sob o titulo original "Memórias de um aventureiro inglês que em 1591 saiu de seu país com o pirata Thomas Cavendish e foi abandonado no Brasil, entre índios canibais e colonos selvagens". O inglês que queria conhecer outros lugares em pleno mercantilismo deixa seu país e natal e embarca junto a tripulação de Cavendish e desde o começo da viagem começa seu sofrimento.

Acometido por várias doenças enfrentadas pelos marinheiros da época, Anthony fica entre a vida e a morte durante a viagem ao Brasil, além de enfrentar o mau tempo. Quando finalmente chegam a nossa costa ele e outros moribundos são abandonados na praia à própria sorte e como que por um milagre consegue se recuperar, porém é capturado pelos portugueses e passa a viver como um escravo tendo que trabalhar em engenhos, carregando navios com pau-brasil e em expedições para negociar com os índios, é numa dessas expedições que ele decide ficar em uma tribo.

Em meio a todas essas aventuras existe um relato bem cru dos maus tratos sofridos por prisioneiros e escravos dos portugueses, tendo ele mesmo sido vitima do ódio de um feitor que o açoitava sem motivo algum e o forçava a trabalhar sem descanso a ponto de ter suas roupas estragadas e ficado nu durante meses enquanto trabalhava no engenho, do comportamento dos homens da época lutando para salvar suas próprias cabeças e das negociações com os índios que também faziam escravos de outras tribos e do canibalismo praticado por estes povos primitvos, onde Knivet quase foi canibalizado se não tivesse dito ser francês quando foi capturado por uma das tribos inimigas dos portugueses, num cenário onde o mais importante para os colonos era o ouro sem serventia alguma para os nativos, os índios. Em um trecho ele relata um desses atos de salvageria (spoiler):

Depois de ter dito isso, ficou atrás do português e bateu-lhe na nuca de tal forma que o derrubou no chão e, quando ele estava caído, deu-lhe mais um golpe que o matou. Pegaram então um dente de coelho, começaram a retirar-lhe a pele e carregaram-no pela cabeça e pelos pés até as chamas da fogueira. Depois disso, esfregaram-no todo com as mãos de modo que o que restava de pele saiu e só restou a carne branca. Então cortaram-lhe a cabeça, deram-na ao jovem que o tinha matado e retiraram as vísceras e deram-nas às mulheres.

Os fatos relatados por Anthony Knivet nos mostram de forma crua como era a vida no Brasil colônia e como eram as relações entre colonizadores em meio a guerras e disputas por territórios com outros povos europeus e índios também divididos entre esses povos.

sexta-feira, julho 29, 2016

A magnifica Joan Root e a África selvagem

Joan Root


Nessa resenha do livro "Na África Selvagem" iremos acompanhar o jornalista americano Mark Seal que ficou curioso ao ler uma nota sobre o assassinato de uma senhora no Quênia. A senhora em questão era a produtora de filmes sobre a natureza Joan Root, Mark escreveu um artigo sobre a vida e obra da autora para a revista Vanity Fair. Posteriormente viajou para a África onde passaria três anos fazendo uma pesquisa minuciosa sobre a vida de Joan Root, da infância até o fatídico dia de sua morte.

A tímida Joan Root era filha de um cafeicultor queniano e durante a infância não recebeu muita atenção por partes dos pais que seguiam regras de alguns livros que ensinavam a não mimar os filhos e ainda bebê quando chorava seus pais seguiam a orientação de tais livros sobre não intervir e esperar que o bebê parasse. Quando tinha idade suficiente foi mandada a um colégio interno na Suíça onde concluiu seus estudos e quando voltou ajudou seu pai em seu novo empreendimento, a criação de safáris na região de Nairobi, foi o pai de Joan, Edmund Thorpe, que iniciou o lucrativo negócio de safáris na África e Joan se tornou seu braço direito na administração dos negócios.

Foi quando ela conheceu seu futuro marido e parceiro de aventuras Alan Root. Alan era, ao contrário de Joan, extrovertido e exibicionista, mas também um apaixonado pela vida selvagem desde a infância quando se mudou para África com o pai. Juntos Alan e Joan formaram um dupla imbatível na captura de cenas da vida selvagem e passaram anos se dedicando a filmar a migração dos animais pelo Quênia. Filmaram os temidos gorilas, elefantes, serpentes perigosas, sobrevoaram vulcões com aviões e um balão. Tudo parecia perfeito até Alan se envolver com outra mulher a abandonar Joan, foi então que ela passou a dedicar-se a preservação da natureza na região do lago Naivasha onde ela e seu ex-marido tinham comprado uma casa, que era seu refúgio entre as filmagens.

Joan lutou contra a instalação de floriculturas nas margens do rio, a troca do café pelas flores trouxe uma serie de consequências para a natureza local, além de agrotóxicos que acabam no lago, as flores trouxeram uma enorme quantidade de pessoas em busca de emprego, aos poucos foi se estabelecendo a favela conhecida como Karagita e a pesca descontrolada acabava com o lago e a caça ilegal afastava e acabava com as muitas espécies animais que antes eram abundantes naquelas terras. Ela fez o que pode para preservar a vida selvagem local, por causa disso comprou briga com muitas pessoas de fazendeiros a pescadores e por fim foi morta em 13 de janeiro de 2006 por homens encapuzados armados com fuzis AK-47.

A história de Joan Root se mistura a história do Quênia e suas transformações, Seal nos mostra como a história do Quênia desde o estabelecimento dos ingleses naquelas terras até os dias atuais moldou o que o país é hoje, um lugar violento e o mesmo tempo fascinante. Joan Root foi mais que uma ativista, dedicou seu amor a proteger aquilo que acreditava. Morreu por tentar mudar a forma como as pessoas tratam a natureza que morre cada vez mais rápido pelas mãos humanas.

quinta-feira, julho 28, 2016

O livro enquanto produto

CEO da Amazon


Em tempos de “revolta” e campanhas como a #ValorizeOBooktube uma coisa é certa o tratamento que damos aos livros vai além do consumidor-produto, é uma relação especial e diferenciada, talvez pelo marketing dos livros serem baseados nas emoções e não em especificações técnicas. Vou dar a minha opinião de quem não tem parceria com ninguém.

Quando se fala em blogs e parcerias rolam sempre comparações entre o que acontece nas parcerias entre marcas e blogueiros de moda e beleza e a relação entre editoras e blogs literários. Alguns enxergam a relação com algo a mais que receber livros com maus olhos, como se fosse algum crime. Não estou dizendo que as parcerias precisam seguir os mesmos modelos que outros seguimentos, porém é preciso que exista um ganho de alguma forma pelo simples fato de você dedicar seu tempo para aquilo, mesmo que você faça por prazer. O que algumas pessoas não conseguem ou não querem enxergar é que quando você se dedica a leitura de algum livro de parceria, mesmo que você queira muito ler, a leitura não é só pra você, a leitura é para o seu parceiro/empresa que espera um resultado.

Tentando ser mais prático, as editoras investem em direitos autorais para uma obra ou todas as obras de um certo autor, aí eles vão contratar tradutor (caso o autor seja estrangeiro), designer, revisor, gráfica, irão investir em marketing pra que você deseje aquele livro mais que tudo. E claro como leitores isso nos atrai, com a diferença de que quem tem parceria acaba fazendo parte do serviço de marketing para essas editoras. Tô falando coisas óbvias? Tô, mas o que eu vejo é que mesmo que nós leitores saibamos disso não queremos enxergar as coisas dessa forma. Talvez essa seja a razão pela qual pensamos que receber em dinheiro para ler seja algo ultrajante.

Faca de dois gumes: Ao mesmo tempo em que é preciso que haja algum tipo de incentivo a mais existe a ideia de que com algum tipo de remuneração as resenhas deixariam de ser resenhas verdadeiras e seriam sempre positivas, muitos fantasmas rondam a questão primeiro pelo medo de que falar mal de um livro de parceiro pode ser uma porta fechada no futuro, mas esse medo já não existe mesmo sem remuneração alguma? Lembrando que muitos blogs, canais e instagrans literários pertencem a jovens que ainda estão em período escolar ou começando a faculdade e ainda são muito dependentes dos pais. Será que esses jovens não pensam que fazendo resenhas negativas podem perder a parceria no futuro ou ainda se forem cobrar algo além de livros, além de perder a parceria serão vistos com maus olhos por novos parceiros em potencial? Porque claro quem não é tão conhecido nesse meio pode ser substituído facilmente na próxima seleção.

Já que eu cheguei no ponto seleção vou falar coisas obvias mais uma vez, sobre o processo em si é aquele coisa que a maioria já deve saber, todo ano editora X abre seleção, interessados preenchem um formulário, muitas vezes com perguntas absurdas e sem sentido, e ficam aguardando o resultado, enquanto isso as editoras vão analisar principalmente os números, porque sim amiguinhos vivemos num mundo em que antes de sermos pessoas, somos números. Depois disso elas divulgam os números de interessados na parceria e o resultado nas redes sociais ou num blog da editora e mandam um email individual avisando se foi selecionado ou não, caso tenha sido eles te passarão informações de como funciona a parceria. Claro que eles tentam fazer tudo parecer mais amigável possível independente do resultado, afinal o marketing está aí, tanto que a cada ano cresce mais o número de interessados em parcerias.

Resumindo se você que é parceiro de um negócio que gera lucro por quê não ser remunerado de alguma forma?

quinta-feira, junho 02, 2016

Pornografia: Agente Provocador

Companhia das Letras
Pornografia e erotismo podem ser usados para confrontar valores morais de uma época? Não responda agora, primeiro vamos falar sobre Pietro Aretino e sue controverso Sonetos Luxuriosos.

Escritos por volta de 1525 o que começou como uma brincadeira realizada anualmente para divertir o povo aos poucos foi tomando proporções maiores e desafiando a alta sociedade italiana da época. Feitos de forma clandestina o que deve ter garantido o tom utilizado pelo autor, sem papas na lingua é apenas uma expressão fofa usada nesse caso, já que ele vai além e nos expõe a um erotismo pouco imaginado para a sociedade europeia do século XVII. Satiricamente perigoso o autor teve de deixar Roma e ir para Veneza quando seus inimigos revelaram que ela era o autor dos sonetos, lá ele viveu num palácio cercado por belas mulheres e estimados por nobres e reis que conheciam o poder de suas palavras destrutivas e então o enchiam de presentes e regalias.

Pietro Aretino é a maior prova de que o sexo pode ser usado para revolucionar a sociedade, despertando vários sentimentos que vão de estado de choque à ira por parte das vitimas de suas nada doce palavras.

O livro publicado pelo selo Má Companhia (Companhia das Letras) em 2011 é uma edição bilingue Italiano/Português e deve ser "desfrutado" com cautela. Leia alguns trechos disponibilizados pela editora aqui.

segunda-feira, maio 30, 2016

ANOMALISA - A vida real em stop motion

Poster by Mintmovie
Poster by Mintmovie
Desde que vi o trailer nos indicados pelo Youtube enquanto assitia a algum outro fiquei bastante interessado nesse filme e finalmente pude assistir, não sei se passou pelos cinemas brasileiros, não o vi em cartaz, então tive que esperar aparecer em algum site. E valeu muito a espera, o filme é muito cotidiano e tocante, não é um filme que te faz cair em prantos e acho que não é a pretensão, mas é muito atual, verdadeiro e adulto.

Michael Stone (voz de David Thewis) é um palestrante motivacional que acaba de chegar à cidade de Connecticut. Ele segue do aeroporto direto para o hotel, onde entra em contato com um antigo caso para que possam se reencontrar. A iniciativa não dá certo, mas Michael logo se insinua para duas jovens que foram ao local justamente para ver a palestra que ele dará no dia seguinte. É quando ele conhece Lisa (voz de Jennifer Jason Leigh), por quem se apaixona.

Michael não é o primeiro e nem será o ultimo cara que usará uma viagem a trabalho para trair a esposa e isso poderia causa uma revolta muito grande, porém o personagem causa grande empatia justamente por não ser um cara pretensioso e arrogante, é só um cara comum que escreveu um livro de sucesso e agora é palestrante. Do outro lado temos Lisa o patinho feio, uma menina doce e com a autoestima no chão, que tem uma vida pacata numa cidade do interior dos Estados Unidos que fica feliz por encontrar seu ídolo e não acredita que ele se apaixona por ela.

O mais legal do filme é a forma como as coisas são colocadas sem exageros e os personagens são muito humanos, além da produção e trilha sonora maravilhosas. E ponto para a dublagem que não troca o sentido das palavras, esqueçam o "vai se ferrar".

Direção: Charlie Kaufman, Duke Johnson
Elenco: David Thewlis, Jennifer Jason Leigh, Tom Noonan



sexta-feira, maio 13, 2016

Como escrever um texto massa sobre Bukowski?

Bukowski
Aqui estou eu em frente ao computador tentando descrever tudo o que senti em meu primeiro contato com algo escrito por esse velho safado e seu jeitão descomplicado de encarar os problemas, jeitão esse sempre acompanhado por alguma bebida. Existe um Bukowski sem teor alcoólico? 

Procuro começar a ter contato com algum autor sempre por sua primeira publicação ou por alguma compilação, dessa vez fui pela segunda opção com "A Mulher Mais Bela da Cidade e outras histórias" da Coleção 64 Páginas pela Editora L&PM e ainda estou eufórico com seu humor embriagado em alguma bebida barata e a sinceridade que só os bêbados têm. No livro algumas histórias parecem autobiográficas e até interligadas em alguns pontos, outras parecem pura ficção, mas com um dose extrema de uma realidade decadente e suja. Como se os personagens fossem a encarnação do sonho americano que deu errado, ninguém é super homem nem mulher maravilha, porém cada um carrega características humanas que nos leva a uma empatia total, mesmo que as vezes o caráter desse personagem seja totalmente duvidoso. 

Cass a protagonista do conto que da nome ao livro é a mais bela de cinco irmãs, mas ao invés de fazer disso algo superior ela se sente uma aberração, uma vez que acredita que a beleza só lhe traz problemas e que as pessoas acham que ela é só uma puta gostosa. Nas outras histórias o autor nos leva ao abuso de álcool como uma fuga a um resumo da vida em que o mundo parecer ser sempre algo chato e entediante e tudo o que fazemos é procurar formas de vencer o tédio, seja nos becos sujos ou nos corredores de uma universidade. O alcoolismo parece ser uma forma de encarar as outras pessoas e a forma decadente das relações humanas, nunca de forma otimista ou romantizada. 

Esso foi o Bukowski que eu conheci, realista demais, sincero demais, visceral demais, GENIAL demais. Espero comer mais a obra desse velho safado! 

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

HQ Novos X-Men - Rebelião no Instituto Xavier



X-Men - Rebelião no Instituto XavierTudo começa quando o famoso designer mutante Jumbo Encarnado se envolve em uma briga com humanos e morre, até aí todos acreditam que ele foi morto por esses humanos. Sua morte vira assunto no Instituo Xavier para Estudos Avançados, enquanto isso Fera e Ciclope investigam a morte de Jumbo Encarnado e descobrem que pode haver alguma ligação com um esteróide chamado Hipercortisona D e apelidado de “porrada”. Quentin Quire começa a questionar as relações entre humanos e mutantes e aos poucos vai se rebelando e conseguindo aliados dentro da escola, eles fazem uso da droga porrada que eleva os poderes mutantes e começam uma onda de violência contra os humanos.


X-Men - Rebelião no Instituto Xavier
Em seguida temos o misterioso “Assassinato de Emma Frost” quando seu corpo cristalizado é encontrado em pedaços após uma discussão com Jean Grey, dando inicio a uma investigação que tem Jean como a principal suspeita. Será que o Dr Henry McCoy, o Fera, conseguirá desvendar esse mistério?

Sem duvida duas das melhores histórias que já li sobre os X-Men, cheias de surpresas sem muita enrolação e carregada de tensão, capaz de tirar o fôlego do leitor, essa é sem duvida uma ótima aquisição para fãs de HQs, principalmente os da Marvel.

Contra capa

Veja também a resenha em vídeo:

terça-feira, fevereiro 09, 2016

RESENHA: Acerto Com O Passado - Janice Maynard


Hoje a resenha é do ebook Acerto Com O Passado de Janice Maynard.

Sinopse:
O milionário Devlyn Wolf achou que seus dias de salvar donzelas em perigo haviam terminado. Afinal de contas, bancar o herói já lhe trouxera muitos problemas. Mas quando o destino coloca Gillian Carlyle novamente em seu caminho, ele sabe que não pode ignorá-la. Oferecer um emprego era o mínimo que Devlyn podia fazer para se redimir da maneira como a tratara na infância. Porém, ao passarem mais tempo juntos, a bondade de Gillian aos poucos derruba a barreira que Devlyn construíra ao redor do coração. E quando ela percebe como as feridas do passado ainda são dolorosas para Devlyn, sabe que, para curá-las, precisa entregar de vez seu coração.

A história começa com Devlyn salvando Gillian quando a mesma bateu o carro a caminha da casa da mãe, que fica na propriedade dos Wolf. Devlyn então a leva à "casa grande" para que ela possa se recuperar, a partir daí surge uma tensão erótico-romântica entre os dois, mas um acontecimento do passado atormenta Gillian e a faz pensar em seus sentimentos por Devlyn Wolf.

O livro é bem escrito e você não quer parar de ler, mesmo a história sendo um clichê da filha da empregada que se apaixona pelo filho do patrão e dos protagonistas serem mais batidos que a história em si. Ele um cara viril, rico e sedutor que tem quem quiser e que não se prende a ninguém, ela uma mulher frigida, recatada e sem muitas experiências sexuais. E apesar da história bem escrita a autora parece perdida no final, quebrando toda a história por uma besteira fazendo de uma gota, uma tempestade num copo d'água!

Veja também a resenha em vídeo:

UNBOXING: Amazon Brasil


Essa foi a minha primeira compra na Amazon, justamente no aniversário de 3 anos da loja e a entrega demorou um pouco, mesmo já estando em "processo de entrega" no site da transportadora. Enfim confiram o vídeo com minhas comprinhas:


Harold Robbins

NoViolet Bulawayo

quarta-feira, janeiro 06, 2016

RESENHA: A Noiva Do Tigre - Téa Obreth




Em seu primeiro romance Téa Obreth nos entrega uma obra singular, cheia de nuances. o livro tem cheiro e gosto de memórias familiares, onde a diferença cultural não se torna uma barreira.

Os fortes aspectos familiares ficam evidentes logo nos primeiro momentos com a descoberta da morte do avô médico, enquanto ela, também médica, está partindo para o outro lado da fronteira de seu país, junto com Zora sua melhor amiga e advinhem... médica, vacinar crianças em um orfanato. A guerra que durou muitos anos havia acabado e agora existia forte fiscalização nas fronteiras, não fica explicito qual guerra, mas creio que foi a Segunda Guerra Mundial e o local onde a história se passa fica entre Yoguslávia e Sérvia.

Começando por memórias da sua infância e idas freqüentes e ritualizadas com o avô, Dr. Leandro, ao zoológico da cidade e o fascínio dele por “O Livro da Selva” de Rudyard Kipling a história vai se desenrolando a partir de memórias afetivas, num primeiro momento relatos da relação da Natalie com seu avô, da adolescência complicada com o temor da guerra que parece estar a perto e longe ao mesmo tempo até entrada na faculdade de medicina e sobre as dificuldades de conseguir cursar na época da guerra. Aos poucos a história começa a ganhar ramificações e lembranças de histórias da juventude de seu avô contadas por ele e o passado de Natalie vai desaparecendo, ficando apenas um pouco do presente que também é cercado de mistérios pelas condições da morte do avô e pela vila onde elas se hospedam, onde as crenças populares são muito presentes. A dificuldade maior está em convencer as pessoas a deixar de lado suas crenças e confiar na medicina. Enquanto isso chegamos a infância do avô de Natalie e todas as histórias que ele viveu, tudo o que ele soube das lendas de Galina, a vila distante onde morava e que ficou perdida na neve durante um inverno assombrada por um tigre.

Em meio a notícias da guerra, bombardeios e minas terrestres temos uma história consistente, com personagens bem construídos que fazem parte de toda a busca da protagonista pela causa da morte do avô. Apesar do tom sobrenatural de todas as lendas o livro traz uma dose forte de humanidade, da dificuldade dos médicos em lidar com a morte, dos resquícios do Império Otomano na cultura local e das pequenas coisas cotidianas que nos damos conta apenas depois da morte de um ente querido. Assista ao vídeo para saber mais sobre essa história emocionante: