segunda-feira, maio 30, 2016

ANOMALISA - A vida real em stop motion

Poster by Mintmovie
Poster by Mintmovie
Desde que vi o trailer nos indicados pelo Youtube enquanto assitia a algum outro fiquei bastante interessado nesse filme e finalmente pude assistir, não sei se passou pelos cinemas brasileiros, não o vi em cartaz, então tive que esperar aparecer em algum site. E valeu muito a espera, o filme é muito cotidiano e tocante, não é um filme que te faz cair em prantos e acho que não é a pretensão, mas é muito atual, verdadeiro e adulto.

Michael Stone (voz de David Thewis) é um palestrante motivacional que acaba de chegar à cidade de Connecticut. Ele segue do aeroporto direto para o hotel, onde entra em contato com um antigo caso para que possam se reencontrar. A iniciativa não dá certo, mas Michael logo se insinua para duas jovens que foram ao local justamente para ver a palestra que ele dará no dia seguinte. É quando ele conhece Lisa (voz de Jennifer Jason Leigh), por quem se apaixona.

Michael não é o primeiro e nem será o ultimo cara que usará uma viagem a trabalho para trair a esposa e isso poderia causa uma revolta muito grande, porém o personagem causa grande empatia justamente por não ser um cara pretensioso e arrogante, é só um cara comum que escreveu um livro de sucesso e agora é palestrante. Do outro lado temos Lisa o patinho feio, uma menina doce e com a autoestima no chão, que tem uma vida pacata numa cidade do interior dos Estados Unidos que fica feliz por encontrar seu ídolo e não acredita que ele se apaixona por ela.

O mais legal do filme é a forma como as coisas são colocadas sem exageros e os personagens são muito humanos, além da produção e trilha sonora maravilhosas. E ponto para a dublagem que não troca o sentido das palavras, esqueçam o "vai se ferrar".

Direção: Charlie Kaufman, Duke Johnson
Elenco: David Thewlis, Jennifer Jason Leigh, Tom Noonan



sexta-feira, maio 13, 2016

Como escrever um texto massa sobre Bukowski?

Bukowski
Aqui estou eu em frente ao computador tentando descrever tudo o que senti em meu primeiro contato com algo escrito por esse velho safado e seu jeitão descomplicado de encarar os problemas, jeitão esse sempre acompanhado por alguma bebida. Existe um Bukowski sem teor alcoólico? 

Procuro começar a ter contato com algum autor sempre por sua primeira publicação ou por alguma compilação, dessa vez fui pela segunda opção com "A Mulher Mais Bela da Cidade e outras histórias" da Coleção 64 Páginas pela Editora L&PM e ainda estou eufórico com seu humor embriagado em alguma bebida barata e a sinceridade que só os bêbados têm. No livro algumas histórias parecem autobiográficas e até interligadas em alguns pontos, outras parecem pura ficção, mas com um dose extrema de uma realidade decadente e suja. Como se os personagens fossem a encarnação do sonho americano que deu errado, ninguém é super homem nem mulher maravilha, porém cada um carrega características humanas que nos leva a uma empatia total, mesmo que as vezes o caráter desse personagem seja totalmente duvidoso. 

Cass a protagonista do conto que da nome ao livro é a mais bela de cinco irmãs, mas ao invés de fazer disso algo superior ela se sente uma aberração, uma vez que acredita que a beleza só lhe traz problemas e que as pessoas acham que ela é só uma puta gostosa. Nas outras histórias o autor nos leva ao abuso de álcool como uma fuga a um resumo da vida em que o mundo parecer ser sempre algo chato e entediante e tudo o que fazemos é procurar formas de vencer o tédio, seja nos becos sujos ou nos corredores de uma universidade. O alcoolismo parece ser uma forma de encarar as outras pessoas e a forma decadente das relações humanas, nunca de forma otimista ou romantizada. 

Esso foi o Bukowski que eu conheci, realista demais, sincero demais, visceral demais, GENIAL demais. Espero comer mais a obra desse velho safado!