segunda-feira, outubro 17, 2016

O fantástico mundo dos Selvagens de Don Winslow



Muitos são os livros que falam sobre tráfico, crime organizado e cartéis de drogas que operam no México, porém poucos criam um ambiante cheio de violência e da intimidação que esse cartéis causam sobrem as pessoas, cartéis inimigos e autoridades como em Salvagens de Winslow. Misturado a isso temos um cenário que beira uma guerra civil entre cartéis rivais e suas ramificações além do território mexicano, sendo mais específico: traficantes mexicanos dominam também regiões que fazem fronteira com os EUA e é nesse cenário que Don Winslow nos apresenta a três jovens amigos americanos Ben, o cara que desenvolve variedades de erva que causam os mais variados efeitos e envolvido com causas humanitarias, tendo trabalhado em várias partes da África como voluntário; Chon, o cara durão ex-fuzileiro que lutou no Afeganistão; e O. (Ophelia) a jovem que nunca soube o que fazer da vida além de conviver com as paranoias da mãe.

Sem mais enrolação aqui vem o resumo da história Ben e Chon tavam de boas vendendo sua maconha pela cidade e ficam sabendo que outros traficantes estão recebendo uma proposta para se unir Cartel de Baja através de um vídeo explicativo sobre a proposta. O acordo é simples, Ben e Chon passam a trabalhar para o cartel e tem suas vidas poupadas, para ser mais convincente o vídeo contém a decapitação de pessoas que recusaram a oferta.

Vocês devem imaginar que Ben e Chon não receberam muito bem a proposta e que nesse momento O. é só a amiga/namorada da dupla. Eles vivem uma relação a três sem qualquer tipo de problema, O. gosta Ben e Chon, Ben e Chon gostam e O., Ben e Chon são como irmãos. As coisas mudam quando os caras do cartel, após algumas reuniões sem sucesso, investigam mais a fundo a vida dos dois e descobrem que eles tem Ophelia. A partir disso deixarei a imaginação dos senhores deduzir o que acontece e já adianto que é tudo surpreendente.

A maneira como Winslow escreve é sensacional, mesclando muito bem ação quebrada por um humor que ao mesmo tempo faz uma critica a parte da sociedade que sobrevive a base autoajuda, boas doses de dramas familiares e a guerra pelo poder. Tudo isso sem poupar o leitor da crueldade dos homens, afinal o que esperar de um livro que já começa com um "Foda-se!"?

sábado, outubro 15, 2016

Resenha: Filhos de Hippies - Maxine Swann


Qual o peso que uma educação sem regras traz a vida de uma criança? Como será que crianças reagem quando são expostas a coisas que geralmente são feitas as escondidas por adultos? Crescer livre é realmente o melhor?

Em "Filhos de Hippies" Maxine Swann nos faz pensar a partir da perscpetiva de Maeve uma menina, filha de pais hippies, que experimentou junto com seus três irmãos a liberdade da vida sem pressão, regras e com muito amor. Apesar desse primeiro impacto da liberdade a história dos irmãos ganha novos contornos quando os pais se separam e eles tem que ir à escola, a difícil adaptação as regras e o medo de cometer algum deslize e ser excluída pelos amigos faz Maeve ter muito cuidado com suas atitudes no meio escolar. Não muito diferente os irmãos seguem o mesmo, ela e a irmã mais velha são ótimas alunas. Eles passam as férias com o pai viajando de carro para vários lugares dos Estados Unidos e o pai é do tipo paizão, ele gosta de saber e participar da vida dos filhos e se lamenta por ter ficado longe deles após a separação. Em meio a tudo isso eles convivem, também, com os namorados da mãe e as namoradas do pai, essas geralmente tem um estilo de vida muito diferente do que elas esperariam das namoradas do pai.

Antes de virar livro a história foi publicada como uma série de histórias curtas em 1997 na Ploushshares, as histórias eram conectadas e algumas delas contadas em terceira pessoa. A autora foi indicada a alguns prêmios literários como Cohen, O. Henry Award, Pushcart Prize e Best American Short Stories, vencendo os três primeiros.

O livro levanta vários questionamentos sociais que vão além da criação de filhos, mais que isso o livro trata de várias formas de interação social e questões familiares contemporâneas. Um livro leve e ao mesmo tempo muito tocante, trata de dramas comuns sem exageros a partir das percepções de uma criança que vive num mundo diferente do mundo da maioria das crianças. Recomendo!