quinta-feira, julho 28, 2016

O livro enquanto produto

CEO da Amazon


Em tempos de “revolta” e campanhas como a #ValorizeOBooktube uma coisa é certa o tratamento que damos aos livros vai além do consumidor-produto, é uma relação especial e diferenciada, talvez pelo marketing dos livros serem baseados nas emoções e não em especificações técnicas. Vou dar a minha opinião de quem não tem parceria com ninguém.

Quando se fala em blogs e parcerias rolam sempre comparações entre o que acontece nas parcerias entre marcas e blogueiros de moda e beleza e a relação entre editoras e blogs literários. Alguns enxergam a relação com algo a mais que receber livros com maus olhos, como se fosse algum crime. Não estou dizendo que as parcerias precisam seguir os mesmos modelos que outros seguimentos, porém é preciso que exista um ganho de alguma forma pelo simples fato de você dedicar seu tempo para aquilo, mesmo que você faça por prazer. O que algumas pessoas não conseguem ou não querem enxergar é que quando você se dedica a leitura de algum livro de parceria, mesmo que você queira muito ler, a leitura não é só pra você, a leitura é para o seu parceiro/empresa que espera um resultado.

Tentando ser mais prático, as editoras investem em direitos autorais para uma obra ou todas as obras de um certo autor, aí eles vão contratar tradutor (caso o autor seja estrangeiro), designer, revisor, gráfica, irão investir em marketing pra que você deseje aquele livro mais que tudo. E claro como leitores isso nos atrai, com a diferença de que quem tem parceria acaba fazendo parte do serviço de marketing para essas editoras. Tô falando coisas óbvias? Tô, mas o que eu vejo é que mesmo que nós leitores saibamos disso não queremos enxergar as coisas dessa forma. Talvez essa seja a razão pela qual pensamos que receber em dinheiro para ler seja algo ultrajante.

Faca de dois gumes: Ao mesmo tempo em que é preciso que haja algum tipo de incentivo a mais existe a ideia de que com algum tipo de remuneração as resenhas deixariam de ser resenhas verdadeiras e seriam sempre positivas, muitos fantasmas rondam a questão primeiro pelo medo de que falar mal de um livro de parceiro pode ser uma porta fechada no futuro, mas esse medo já não existe mesmo sem remuneração alguma? Lembrando que muitos blogs, canais e instagrans literários pertencem a jovens que ainda estão em período escolar ou começando a faculdade e ainda são muito dependentes dos pais. Será que esses jovens não pensam que fazendo resenhas negativas podem perder a parceria no futuro ou ainda se forem cobrar algo além de livros, além de perder a parceria serão vistos com maus olhos por novos parceiros em potencial? Porque claro quem não é tão conhecido nesse meio pode ser substituído facilmente na próxima seleção.

Já que eu cheguei no ponto seleção vou falar coisas obvias mais uma vez, sobre o processo em si é aquele coisa que a maioria já deve saber, todo ano editora X abre seleção, interessados preenchem um formulário, muitas vezes com perguntas absurdas e sem sentido, e ficam aguardando o resultado, enquanto isso as editoras vão analisar principalmente os números, porque sim amiguinhos vivemos num mundo em que antes de sermos pessoas, somos números. Depois disso elas divulgam os números de interessados na parceria e o resultado nas redes sociais ou num blog da editora e mandam um email individual avisando se foi selecionado ou não, caso tenha sido eles te passarão informações de como funciona a parceria. Claro que eles tentam fazer tudo parecer mais amigável possível independente do resultado, afinal o marketing está aí, tanto que a cada ano cresce mais o número de interessados em parcerias.

Resumindo se você que é parceiro de um negócio que gera lucro por quê não ser remunerado de alguma forma?
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